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Leilão para construção de nova sede do governo no Centro de SP será nesta quinta; conheça detalhes do projeto
26/02/2026
(Foto: Reprodução) Leilão do novo centro administrativo do governo de SP está marcado para esta quinta (26)
O governo de São Paulo realiza nesta quinta-feira (26), às 10h, na sede da B3, o leilão que vai definir a empresa responsável por construir e administrar o Novo Centro Administrativo do estado, nos Campos Elíseos, região central da capital.
O projeto, uma das principais promessas de campanha do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), prevê a transferência da sede do governo do Palácio dos Bandeirantes, no Morumbi, para um complexo de prédios no entorno da Praça Princesa Isabel.
Duas propostas foram apresentadas para a concessão, que será feita por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP), disputam o contrato:
Consórcio Acciona-Construcap;
Consórcio MEZ-RZK Novo Centro, formado por Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos Imobiliários e Iron Property.
Vencerá o grupo que oferecer o maior desconto sobre o valor pago mensalmente pelo estado à concessionária (contraprestação pública) durante os 30 anos de contrato. A parcela máxima foi fixada em R$ 76,6 milhões. Os pagamentos do estado à futura concessionária estarão condicionados ao cumprimento de metas de desempenho.
O projeto prevê investimento total estimado em R$ 6,1 bilhões para a construção, dos quais aproximadamente R$ 3,4 bilhões serão aportados pelo governo estadual.
Projeção da nova sede do Governo de SP no Centro da capital paulista
Divulgação/GESP
A empresa vencedora ficará responsável por:
Realizar desapropriações;
Construir sete edifícios e dez torres para abrigar o gabinete do governador e 28 secretarias e órgãos estaduais;
Restaurar 17 casarões tombados na região, que serão incorporados ao complexo;
Operar, manter e gerir o complexo durante todo o contrato, incluindo serviços de limpeza, segurança e manutenção.
Em contrapartida, a concessionária poderá explorar comercialmente parte do espaço, com aluguel de lojas, estacionamentos e um novo centro de convenções.
Atualmente, cerca de 22 mil servidores estaduais estão distribuídos em mais de 40 endereços na capital. A proposta é centralizar as estruturas em um único local, com redução de custos administrativos e modernização da gestão pública.
Mesmo com a mudança, o governador manterá a residência oficial no Palácio dos Bandeirantes.
Projeção da nova sede do Governo de SP no Centro da capital paulista
Divulgação/GESP
Como será o novo centro administrativo
O projeto arquitetônico foi escolhido por meio de concurso público nacional organizado pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-SP), que registrou recorde de inscrições. A proposta vencedora é do escritório Ópera Quatro Arquitetura, liderado por Pablo Chakur, que será responsável pela elaboração dos projetos básico e executivo.
A nova estrutura ocupará quatro quadras entre a Rua Conselheiro Nébias e a Alameda Barão de Piracicaba. O complexo terá capacidade para cerca de 22 mil servidores e contará com teatro, auditórios, salas multiuso e outros espaços institucionais.
Os prédios terão fachadas ativas — com comércio e serviços no térreo — e estacionamentos subterrâneos. Ao todo, serão 25 mil metros quadrados destinados a comércio e serviços.
O Palácio dos Campos Elíseos, construção centenária que já foi sede do governo no século passado, será restaurado com móveis originais da década de 1930 e servirá como sala de visitas do governo. Um túnel subterrâneo deve conectar diretamente o edifício à nova sede administrativa.
Palácio dos Campos Elíseos será restaurado e integrado ao novo centro administrativo do governo paulista
Divulgação/Carlos Pires
Além dos prédios administrativos, o plano inclui:
Construção de mais de 6 mil moradias na região central, sendo 55% destinadas à população de baixa renda;
Ampliação e requalificação da Praça Princesa Isabel, que deve se transformar em um boulevard;
Alargamento de calçadas e criação de trechos exclusivos para pedestres;
Ampliação em mais de 40% da área verde do parque;
Instalação de teatro, auditórios e espaços multiuso.
Ruas como Helvetia, Guaianases e Alameda Glete terão trechos destinados exclusivamente a pedestres. O Terminal Princesa Isabel será desativado e substituído pelo Terminal Luz, com conexão à Estação da Luz por meio de túnel em construção pela CPTM.
A estimativa do governo é que as obras gerem cerca de 38 mil empregos durante a fase de construção, prevista para terminar até 2030.
Comissão escolhe projeto do novo centro administrativo
Desapropriações e impacto social
Para viabilizar o projeto, cerca de 230 imóveis residenciais deverão ser desapropriados. Aproximadamente 600 famílias foram mapeadas na área de intervenção, e parte delas já está cadastrada para indenização ou inclusão em projetos habitacionais.
A estimativa de gastos com desapropriações é de cerca de R$ 500 milhões. Parte da área é classificada como Zona Especial de Interesse Social (ZEIS), o que exige a previsão de habitação popular.
Aprovação da população
Uma pesquisa do Datafolha com 1.564 entrevistados aponta que 64% dos paulistanos consideram a mudança ótima ou boa.
Entre moradores ou trabalhadores da região central, 83% acreditam que o projeto trará mais segurança. Também são esperadas melhorias na limpeza urbana (80%), na oferta de empregos (74%), no turismo (70%) e nas condições de moradia (55%).
Para a população da cidade em geral, 77% acreditam que haverá melhora na segurança, e entre 79% e 84% avaliam que o projeto trará mais benefícios do que prejuízos para moradores, comerciantes, trabalhadores e para a cidade.
Por outro lado, 47% dos entrevistados acreditam que o trânsito pode piorar. Também há divisão quanto à capacidade do estado de concluir a obra até 2030 e quanto aos impactos sobre a população vulnerável do entorno.