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Aneel atribui aumento na conta de energia em Roraima a custos do Linhão de Tucuruí
25/02/2026
(Foto: Reprodução) Obras do Linhão de Tucuruí, em Boa Vista
Caíque Rodrigues/g1 RR
O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa, atribuiu nesta quarta-feira (25) parte do aumento de 24,13% na conta de luz em Roraima a custos de um processo judicial necessário para garantir a obra do Linhão de Tucuruí.
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A declaração ocorreu durante uma audiência pública no Senado Federal, em Brasília (DF). Na reunião, parte da bancada federal do estado cobrou a redução da tarifa e alertou para o risco de novos aumentos para o comércio local, com a possível implantação da chamada "tarifa branca".
Custos da obra
Feitosa explicou que a agência assumiu um risco e perdeu um processo de arbitragem, espécie de acordo para resolução de conflitos, para viabilizar a ligação de Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Com isso, foi preciso repassar valores mais altos à Transnorte Energia S.A., responsável pela transmissão de energia.
"Nós perdemos a arbitragem [...] Tivemos que recompor a tarifa do transmissor em valores muito acima do que nós faríamos pela nossa regulação ordinária. Mas eu diria que ganhamos, porque esse gesto permitiu que o estado de Roraima fosse interligado", afirmou o diretor-geral da Aneel.
As obras do Linhão foram de responsabilidade da Transnorte Energia S.A. (TNE), consórcio formado pelas empresas Alupar e Eletronorte, que venceu, em 2021, o leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME), e poderá administrar o empreendimento até 2042.
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PAC/Divulgação
Em relação aos pedidos de redução imediata da conta de luz, o diretor ressaltou que as decisões da Aneel são colegiadas e que não pode determinar mudanças sozinho, mas prometeu "buscar fazer parte da solução".
'Tarifa Branca'
Outro ponto discutido na audiência foi sobre a "tarifa branca". A proposta, que está em fase de consulta pública na Aneel, prevê uma cobrança diferenciada pelo uso de energia, que seria mais cara nos horários de pico e mais barata nos demais períodos.
O senador Mecias de Jesus (Republicanos) alertou que a mudança pode encarecer a conta em até 30% para o setor de serviços, especialmente bares e restaurantes que funcionam à noite e não podem reduzir o consumo nesse horário.
O superintendente de Gestão Tarifária da Aneel, Leandro Moreira, detalhou que a medida afetaria apenas clientes ligados em baixa tensão com consumo elevado, o que representa 2,5% dos consumidores, segundo Moreira.
O objetivo da agência seria desestimular o uso de energia no fim da tarde e início da noite, período em que o sistema precisa ligar usinas termelétricas, que são mais caras.
"A gente tem que contratar geração, transmissão e distribuição para atender essa ponta [horário de pico]. E isso está ficando muito caro. A ideia é dar sinal de preço, ou seja, mostrar para o consumidor que aquele horário é um pouco mais caro. Mas dar a oportunidade para na verdade ele reduzir a conta [se consumir em outros horários]", disse o superintendente.
Próximos passos
Como desdobramento da reunião, o presidente da comissão, senador Dr. Hiran (Progressistas), anunciou que vai convocar o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, para prestar esclarecimentos sobre a crise tarifária na próxima semana.
Já a deputada Helena Lima (MDB) solicitou formalmente que a Aneel realize uma audiência pública presencial em Boa Vista, para debater o preço da energia diretamente com a população roraimense e com a concessionária local.
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